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A menina brinca, brinca de viver e vive de brincar...

Ela é apenas uma menina, uma menina como outra qualquer. Não precisa de muito para se divertir, não precisa de muito para ser feliz. Porém espera muito da vida, apesar de nem saber ainda, o que é a vida realmente…

Não, ela não quer uma boneca de Natal, como querem muitas outras meninas, simples como ela. Ela quer mais, está sempre à espera de algo especial, único e simples. Ela quer carinho e atenção, mais do que tudo quer sentir-se querida, como todas as outras menininhas que conhecemos.

Ela é uma menina muito especial, como todas as outras meninas. Sonhadora e sensível, com muitos desejos e anseios. Não, ela não quer ser médica e nem advogada, ela quer apenas receber amor dos que ama. Quer brincar de ser feliz, mas sem nunca brincar com o sentimento dos outros.

Apesar da pouca idade, ela sabe o que pode esperar da vida e das pessoas. Por conta da pouca idade, ela sabe se dar por inteiro e se relacionar com amor e humildade, como todas as meninas de sua idade.
Os adultos não a compreendem e isso sempre foi um grande desafio na vida da menininha. Sua pouca idade nunca a impediu de perceber que os adultos tendem a esconder o que sentem e isso ELA não entende, gostaria que fosse diferente.

Ela é apenas uma menina, uma menininha atrevida, divertida e verdadadeira. Brincando vida a fora, por vezes brincadeiras perigosas. É brincando que ela se machuca de vez em quando, mas seus pais a ensinaram, que um tombo não é o fim do mundo. Os machucados deixam algumas marcas, mas ela as exibe orgulhosa e toda proza, olhando para a cicatriz, diz que nunca mais caíra no mesmo lugar, “isso é só pra me lembrar”.

E assim ela segue sua vida, dando seus tropeços, caindo e levantando, brincando e amando, rindo e chorando.
Sem nunca perder sua inocência de menina, sempre muito ansiosa, espera nervosa, para saber qual será o próximo presente que irá receber, como todas as outras menininhas…

Vai ter uma festa
Que eu vou dançar
Até o sapato pedir pra parar.

Aí eu paro
Tiro o sapato
E danço o resto da vida.

(Chacal)

palhaco_chorar

Um dia é de rir, o outro de chorar. E assim continua o espetáculo.

O palhaço é alegre por natureza
está sempre feliz e sorridente,
Adora alegrar os que estão ao redor
Sempre dá um jeitinho de animar toda a gente.

O palhaço é sim feliz e sorridente
Não pensem que isso é apenas disfarce, um jeito de se encobrir,
Acontece que o palhaço também é gente
E como tal, por vezes também precisa se despir.

Se despir de toda essa maquiagem
Se despir da obrigação de fazer alguém sorrir,
Palhaço precisa também de muita coragem
Coragem de se permitir sofrer, chorar e dormir, dormir…

Sim, palhaço também chora
Apesar de ter medo de revelar sua lágrima.
Mas pro palhaço sempre é hora
Hora de recomeçar o espetáculo e dar a volta por cima.

 

No meio de toda aquela gente, ele se fazia notar, mesmo sem nem querer se fazer notar. Tinha resposta pra tudo, não se deixava calar. No dia em que se calou, todo mundo notou. Ele nem mesmo se deu conta de que não estava a pilheriar, voltou para casa sozinho e sozinho ainda está… Mas eu sei que ele volta, ele sempre irá voltar…

Por favor, não me analise
Não fique procurando
cada ponto fraco meu
Se ninguém resiste a uma análise
profunda, quanto mais eu!
Ciumenta, exigente, insegura, carente
toda cheia de marcas que a vida deixou:
Veja em cada exigência
um grito de carência,
um pedido de amor!

Amor, amor é síntese,
uma integração de dados
não há que tirar nem pôr.
Não me corte em fatias,
(ninguém abraça um pedaço),
me envolva toda em seus braços
E eu serei perfeita, amor!

Do livro “Bom dia, amor!”, 1990

Mirthes Mathias

“The next planet was inhabited by a drinker. This visit was very short, but it plunged the little prince into a deep melancholy.

‘What are you doing there?’ He said to the drinker, whom he found settled silently before a collection of empty bottles and a collection of full bottles.
‘I’m drinking’, said the drinker, with a mournful air.
‘Why are you drinking?’ Asked the little prince.
‘To forget’, replied the drinker.
‘To forget what?’ Enquired the little prince, who was already starting to feel sorry for him.
‘To forget that I’m ashamed’, confessed the drinker, hanging his head.
‘Ashamed of what?’ Persisted the little prince, who wanted to help him.
‘Ashamed of drinking!’ Concluded the drinker, retreating into a permanent silence.
And the little prince went away, perplexed.

‘Grown-ups are decidedly very, very odd’, he said to himself, as he continued on his voyage.”

O sonho do sonho nada mais é do que um estilo de sonho muito louco!
Vocês já sonharam que estavam dormindo e de repente “acordam” e falam, “nossa que sonho louco!” e só depois então percebem que ainda estavam dormindo quando isso aconteceu?! Ou seja, você sonhou que estava sonhando! É um sonho dentro do outro…

Essa semana sonhei inumeras vezes que estava sonhando… Era tudo tão real!! Impressionante, não sei de onde sai tanta loucura!

Me lembro bem de um que tive de sexta pra sábado, sonhei que tinha sonhado com o resultado do jogo Palmeiras x Flamengo, nesse primeiro sonho o resultado era Palmeiras 0 x 2 Flamengo. Me lembro bem que não quis contar esse sonho pra ninguém, porque eu achava que o Flamengo iria perder a partida. Mas daí quando eu “acordei” e veio o jogo o resultado foi Palmeiras 10 x 0 Flamengo. Sério, fiquei arrasada, maior vexame! Não pude acreditar naquilo… Mas foi então que eu acordei e percebi que aquilo TUDO só passava de um sonho!
Então eu levantei e fui ao quarto da minha Tia, e quando chego lá, pra minha surpresa, o quarto estava completamente diferente!
Fiquei bem confusa, eu não tinha dormido durante tanto tempo assim pra ela poder, sozinha, mover móveis por cômodos e descer escadas com eles…
Bom, foi então que meu despertador tocou… Pois é! Mais um sonho do sonho!!
Gente, é sério isso.. Tô ficando doidinha!! rsrs
Será que escrevi isso aqui mesmo ou tô só sonhando?!?!?!

Já escondi um amor com medo de perdê-lo, já perdi um amor por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade… Já tive medo do escuro, hoje no escuro “me acho, me agacho, fico ali”.
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de “amigo” e descobri que não eram… Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!

Clarice Lispector

Só porque entrei no banho, o telefone tocou
Só porque não queria ser achada, você me encontrou
Só porque era segredo, você revelou.

Só porque não queria te ver, você apareceu
Só porque queria beber, meu estômago doeu
Só porque tava afim de sair, choveu!

Só porque queria conversar, você não me ouviu
Só porque eu queria gritar, você fugiu
Só porque perguntei demais, você mentiu.

Só porque era muito ingênua, acreditei
Só porque a distância era grande, esperei
Só porque a vida é cruel, me matei!
Ressuscitei…

Eles acordam, não dão bom dia. Já se levantam pensando no dia cheio que terão pela frente, não se preocupam mais com cordialidades nem carinhos.
Vão tomar café, ele com o jornal na mão e ela com seu I-Phone, checando seus e-mails, usando a rede wireless de seu roteador. Não trocam sequer uma palavra.
No caminho para o trabalho ele sincroniza seu SmartPhone no bluetooth do rádio do carro e começa a fazer ligações hand-free. Ela agora se conecta ao Twitter, usando internet 3G e escreve: “Indo pro trabalho, faz sol na Barra da Tijuca“. Como se fosse um importante telegrama…
Depois de muitos telefonemas e Twittadas, eles chegam ao destino, ainda sem trocar nenhuma palavra. Então ela diz Tchau e ele responde com um aceno, pois ainda está numa ligação. Muito importante, como todas as outras..
Durante a tarde eles se comunicam por e-mail e conversas no MSN, pois assim quando chega a noite eles já estão com tudo resolvido.
Chega a hora de irem embora, entram no carro, mas estão tão ocupados com seus celulares, GPS, rádios, Bluetooths, Twitter, Facebook, Flickr, Multiply, WordPress, MSN, Skype e afins que trocam apenas um rápido e automático beijo e partem para casa.
Ela agora Twitta: “Voltando para casa, neblina na saída do túnel”
Chegam em casa e ligam seus computadores, cada um tem o seu, claro. Começam a navegar na internet, baixam filmes e músicas pelo E-Mule, conversam com amigos que estão distantes pelo Skype, trocam e-mails com pessoas que nunca viram na vida, checam suas Google Agendas, suas FarmVilles no Facebook, mandam os parabéns para os aniversariantes virtuais do Orkut, postam em seus blogs, comentam em blogs de amigos virtuais e por fim ele abre um chat com ela pelo MSN e diz: Te amo.
Ela abre um sorriso e responde: :)
Boa noite. Completa ele. Boa noite. escreve ela…

E assim seguem as relações no mundo moderno atual, frias, secas, cinzas e distantes.
A internet foi criada com o intuito de aproximar, diminuir distâncias. Mas muitas pessoas a utiliza para se afastar da convivência com o mundo real e se isolar nesse mundo virtual. As vezes sem nem se darem conta disso…

ps: Inspirado em Carlo, um amigo que tenho em comum com a Mulher Misteriosa.

Quando o mundo era completo

Quando o mundo era completo


1 mês depois chega a carta: Não acreditei quando li o telegrama, nasceu minha tão esperada Juju!. 
20 anos depois ela me entrega essa carta, e tantas outras que ele havia escrito durante suas longas viagens. Sem sombra de dúvidas esse é meu maior tesouro… 
18 anos depois de sua morte eu recebi a melhor e mais valiosa herança de minha vida.
2 anos depois de escrever essa carta, ele nos deixou, contra sua vontade, me deixando órfã de lembranças. Eu não lembro dele, mas tenho comigo seus pensamentos mais íntimos, seus sentimentos mais profundos e verdadeiros. 
27 anos depois ainda continuo sem nenhuma lembrança dele, mas sua falta continua presente, e será sentida até o fim de meus dias..

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